Equilíbrio entre trabalho e vida: realidade possível ou ilusão corporativa?
- Paola Vitalino
- 5 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Você já se pegou dizendo: “Depois das 18h, eu me desconecto”... mas às 21h ainda está resolvendo pendências no WhatsApp? Se sim, você não está só. Vivemos numa era em que o trabalho se infiltra nos nossos minutos livres como se fosse um aplicativo em segundo plano.

A ausência de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal impacta diretamente na forma de lidar com o emocional, na produtividade saudável e aumenta o risco de burnout. O cérebro, quando exposto a uma rotina de hiperexigência sem pausas reais, entra em modo ameaça crônico, e isso afeta desde decisões simples até relacionamentos com as pessoas mais próximas como amigos, familiares e equipe no trabalho.
Como psicóloga, dentro do meu consultório já recebi - e recebo - muitas pessoas que "só queriam dar conta de tudo", mas acabaram perdidas entre metas, reuniões e expectativas internas altíssimas. Gente que ama o que faz, mas que se desconectou de si mesma no processo.
Às vezes, o problema não é só excesso de tarefas. É o excesso de culpa ao descansar, como se parar fosse sinônimo de fracasso.
Mas quero te mostrar aqui, que essa "culpa ao descansar" não ajuda, e no final, ele acaba sendo mais um sintoma que favorece a exaustão e possivelmente ao burnout!
Já existem estudos científicos¹,² mostrando que mensagens de trabalho fora do expediente aumentam a exaustão emocional e dificultam a recuperação mental.Além disso, culturas organizacionais que promovem sobrecarga e conectividade constante comprometem nossa capacidade de “desligar” – o que, ao longo do tempo, eleva o risco de burnout.
E se não te convenci ainda...
Desde 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece oficialmente o burnout como um fenômeno ocupacional. Ou seja: é uma condição de saúde, não uma questão de “frescura” ou fraqueza emocional.
Agora me diz: se estamos discutindo tanto esse tema…Será mesmo que estamos na direção de uma vida com equilíbrio?
A Psi aqui te convida a refletir:
Como você tem cuidado dos seus limites?
Quais fronteiras estão sendo invadidas sem você perceber?
E o mais importante: o que você tem aceitado como “normal”, mas que está te adoecendo aos poucos?
O equilíbrio não é um destino, é uma construção.E talvez esteja na hora de rever os alicerces.
Psicóloga Paola Vitalino
CRP 08/30509
Referências do post:
¹Wang, Y., Liu, S., Qian, S., & Parker, S. K. (2023).Turning off after hours: The effects of after-hours work connectivity on employee recovery and well-being.Journal of Applied Psychology, 108(2), 320–336. https://doi.org/10.1037/apl0001044
²Calderwood, C., Gabriel, A. S., Rosen, C. C., & Koopman, J. (2021).Unpacking workplace telepressure: Implications for work–life interface and well-being.Journal of Management, 47(4), 1008–1036. https://doi.org/10.1177/0149206320925244


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